Por que tantas mulheres se sentem cansadas, ansiosas e sobrecarregadas, mesmo quando “está tudo bem”? A psicanálise pode explicar!
- Anna Carolina Martins
- 29 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Você acorda cansada. Cumpre suas responsabilidades.Cuida de tudo e de todos. E, ainda assim, sente um vazio difícil de explicar.
Do lado de fora, a vida parece funcionar. Do lado de dentro, algo pede pausa, escuta e sentido.
Esse cansaço que tantas mulheres relatam hoje não é apenas físico. Ele é psíquico. E a psicanálise nos ajuda a compreender por quê.
O cansaço que não passa com descanso
Muitas mulheres chegam à terapia dizendo:
“Eu não sei exatamente o que tenho, só sei que estou cansada.”
Esse cansaço não melhora com férias, sono ou organização da rotina. Isso porque ele não nasce apenas do excesso de tarefas, mas de uma exigência constante de dar conta de tudo, de sustentar papéis, expectativas e ideais, muitas vezes sem espaço para desejar.
O corpo fala quando a palavra foi silenciada por tempo demais.
Ansiedade, sobrecarga e o conflito invisível
A ansiedade, tão presente na vida contemporânea, nem sempre está ligada ao futuro. Muitas vezes, ela está ligada a um conflito interno não elaborado, a escolhas feitas para atender expectativas externas e a uma distância crescente de si mesma.
A mulher que “faz tudo certo” pode estar, silenciosamente, vivendo um luto:
do que não pôde ser,
do que adiou,
do que nunca teve espaço para desejar.
Esse conflito não aparece de forma clara. É aquela irritação constante, sensação de vazio, dificuldade de relaxar, culpa ao descansar, medo de decepcionar. Tudo se torna uma bagunça interna e uma sensação de não ter onde descansar, ou até em quem confiar.

Quando “dar conta de tudo” cobra um preço alto
Desde cedo, muitas mulheres aprendem que precisam ser fortes, organizadas, disponíveis, produtivas e emocionalmente equilibradas. Pouco se fala sobre o custo psíquico dessa exigência.
Na clínica, é comum ouvir mulheres que dizem:
“Eu não posso parar agora.”“Depois eu cuido de mim.”“Tem gente que precisa mais de mim do que eu.”
Em terapia não trabalhamos para adaptar a mulher a esse lugar de excesso. Ela oferece um espaço para questionar por que ocupar sempre esse lugar e o que se perde ao permanecer nele.
Terapia não é consertar, é escutar
Ao contrário do que muitos discursos prometem, a terapia não é um caminho para se tornar alguém “melhor” ou “mais forte”. Ela é um espaço de escuta, elaboração e reconexão.
Na análise, o cansaço deixa de ser um inimigo e passa a ser um sinal.Um convite para escutar o que foi calado.Um pedido do inconsciente por mudança de posição diante da própria vida.
Não é fraqueza, é chamado!
Se você se sente cansada, ansiosa ou sobrecarregada mesmo quando “está tudo bem”, talvez não haja nada de errado com você. Talvez exista algo em você que precise, finalmente, ser ouvido.
A terapia pode ser esse espaço.




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